quinta-feira, 19 de abril de 2012

RECADO


Tenho as palavras sobrepostas
A falar de um mundo que não gosta
Do que é.
Minha preferência
É pela ausência;
Só assim, eu me distraio.
Anote um recado
De quem pensa:
Um tubo de ensaio
Não controla a experiência.
Ao fazer ciência,
O mundo é falho.

O SÁBIO


Com um universo
Limitado à nossa compreensão,
Um mundo
Limitado ao nosso conhecimento
E os sonhos
Limitados à nossa realidade,
A humanidade
Seria completamente feliz.
Eis o que um tolo diz
Se for sábio de verdade.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Migalhas de saudade



O pão fora espalhado
No caminho da história.
A doce infância foi embora
Com o passado.
Migalhas de um mundo recheado
De memórias.
Lembranças de gaiolas
E canários.
Cenário
De uma tenra idade.
Saudade
Espalhada pelo tempo,
Que se leva pelo vento
Em migalhas.

terça-feira, 20 de março de 2012

LEVIANAMENTE SÓ


Por mais que eu me castre
Da volúpia de minha carne,
Não sou eu mesmo,
É minha parte
Que ainda arde
De desejo.
Por mais que meus apelos
Me afastem
De obscenidades,
Eu anseio
Pela promiscuidade
De meus beijos.
Por mais que eu mantenha em segredo
A excitação que sei de cor,
Eu continuo em mim,
Levianamente só. 

A FARSA


Sou o homem cabisbaixo
Na multidão exaltada.
Quanta gente alienada
Com um mundo imaginário!?
O que será necessário
Para que enxerguem a farsa?
O que pagam pela graça
É um preço muito alto.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

ETILISTA

O que deixo aos meus filhos,
Senão risos
E amigos populares?
Desses que vivem em bares,
Entretidos
Com os seus próprios caprichos,
Entre olhares.
Fazem das mesas altares,
Das tavernas os lugares
Onde não há compromissos. 
Comemoram sem motivos,
Permanecendo esquecidos
Dos seus lares.



JOÃO FELINTO NETO