quinta-feira, 3 de novembro de 2011

AFLIÇÃO

Não faço emenda
em um verso errado.
Não quero paga
pelo poema.
Não vejo cores
em seu jardim ceifado,
com suas flores de encomenda.
Aceno a mão
para um adeus negado.
Doce ilusão,
querer que me entenda.
Extensa ponte.
Você do outro lado.
Talvez não me encontre
e se arrependa.
A sua dor
será por ter pulado,
por um amor
que sempre foi
uma lenda.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Novo Concurso Literário



A ACADEMIA MACHADENSE DE LETRAS (Machado-MG) comunica que estão
abertas as inscrições para o VIII Concurso Plínio Motta de Poesias, do ano 2011. 


As inscrições vão até o dia 2 de novembro de 2011.
Os interessados devem entrar em contato para adquirir o Regulamento: 
a/c Carlos Roberto machadocultural@gmail.com


ESTE CONCURSO ESTÁ ABERTO A TODOS!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

JOGO DE XADREZ


Não sou uma peça de xadrez
Que se move o tempo inteiro
Num enorme tabuleiro
E agradece por ser a sua vez.
Um peão manipulado
Que tem o destino traçado
Para defender seu rei.
E após o jogo acabado,
Novamente ser guardado
Sem nem saber o que fez.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

ENGANAR E MENTIR


Eu tenho pena de você,
Do que fizeram seus pais,
Os seus avós e os demais,
Não te deixando viver.
Aprisionado em si,
Nem mesmo ousava pensar,
Não conseguia enxergar
Que poderia sair.
Se alguém tentar intervir,
Jamais irá aceitar
Que o fizeram acreditar
Que não podia fugir.
Tudo irá se repetir
Quando seu filho nascer.
Por você não compreender,
Vai enganar e mentir.
Ele também vai perder
A chance de existir.

sábado, 1 de outubro de 2011

À MINHA PORTA



Ao menino que chora 
À minha porta, 
Eu pergunto o que lhe incomoda.
Ele para mim olha. 
Em seu olhar implora, 
Quer um pouco de pão. 
Em seguida estende sua mão 
Com a palma vazia. 
Na verdade, era eu quem pedia 
O seu pleno perdão.
Essa situação, 
Nesse exato momento,
Traz ao meu pensamento, 
Uma reflexão. 
Não há justificação 
Para um ser inocente,
Um pedaço de gente, 
Ter tamanha aflição. 
A não ser, a omissão 
E a indiferença, 
A falta de decência 
E de humanização. 
Outra explicação, 
Juro que não entendo. 
E imploro, temendo 
Que o menino sofrendo, 
Não me dê seu perdão.


JOÃO FELINTO NETO

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NA LEMBRANÇA


Quanta saudade
Do meu tempo de criança.
Eu dormia com a ânsia
De acordar.
Tinha sempre a esperança
De ao futuro viajar.
Agora, só posso voltar
Em minha lembrança.
Quando penso na distância,
Dá vontade de chorar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Noturna Agonia



Tinhas tudo aquilo, que me foge o grito
e no peito distende, a última tortura.
Eras rebeldia, e paz no infinito.
Eras de Deus, a perfeita criatura.

Apalpei-te toda procurando um verso,
que agora, ao achar, já não te encontro.
É este, vês? Que te ofereço imerso
em meio às sombras, já me veio pronto.

E tu, onde estás, porque fugistes?
Ou não? Fui eu quem me ausentei agora
do fim que essa ausência eterniza.
Porque não põe em mim os olhos tristes?
Não vês que uma grande lua jaz lá fora
e que o meu verso solitário agoniza?

(Costa Pinto)

domingo, 7 de agosto de 2011

AS FRASES


Eu conheci um poeta
Que como a flor do deserto,
Apesar do tempo incerto,
Teimava em sobreviver.

Admirado em ouvir
Os versos que declamava,
A palavra que encantava.
Não sabia escrever.

Certa manhã, eu fui ter
Na praça cotidiana.
A vista, então, me engana.
O que está a acontecer?

Vi no chão ensangüentado,
Por um auto atropelado,
Um sonho ser extirpado.
No deserto, morre a flor.

Do auto, a placa ficou,
Com frase que enganaria:
“Desse carro, o motorista
É Jesus, o salvador”.
Na camisa do finado
Que se tornou rubra cor,
Estava assim estampado:
“Jesus é meu protetor”.